No texto anterior demonstramos através de textos de diversos santos a existência de um combate entre os filhos da Luz e os filhos das trevas, tornando evidente que é necessário ao bom católico se inserir nesta realidade, tomando para si a bandeira de Cristo, sob pena de se não o fizer, ser arrastado pela imensa onda de imoralidade do mundo atual.
Agora desejamos falar do papel fundamental e imprescindível de Nossa Senhora neste combate.
Sabemos que nossa luta é pelo Reino de Cristo e para que este Reino venha e seja conhecido universalmente. Mas, facilmente esquecemos de que se Nosso Senhor Jesus Cristo veio ao mundo, o fez por meio da Virgem Maria. Isto significa que “por meio de Maria começou a salvação do mundo”1. Neste sentido poderíamos dizer que a Santíssima Trindade, para salvar a humanidade caída, precisou do “sim” da Virgem Santíssima. Portanto, se o próprio Deus quis o consentimento de Maria para operar a salvação da humanidade, nós que vivemos “nesta hora terrível em que o espírito do mal busca todos os meios para destruir o Reino de Deus”2, devemos pedir ainda com mais insistência que o Arcanjo Gabriel pelo “sim” de Nossa Senhora. Devemos pedir com São Luís Maria Grignon de Montfort: “Senhor Jesus, memento Congregatiónis tuae: lembrai-Vos de dar à vossa Mãe uma nova companhia, a fim de por Ela renovar todas as coisas, e terminar por Maria os anos da graça, como por Ela os começastes. Da Matri tuae líberos, alióquin móriar (Gn 30,1): dai filhos e servos à vossa Mãe; quando não, fazei que eu morra.”3
O mesmo São Luís esclarece quem são os filhos da Luz, nos remetendo ao livro do Gênesis nas Sagradas Escrituras: “Porei inimizades entre ti e a mulher, e entre a tua posteridade e a posteridade dela. Ela te pisará a cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar” (Gn 3, 15). A mulher, obviamente, é a Virgem Santíssima; do que se deduz por lógica que é por meio dela que se formam os filhos da Luz. È notável também que é ela quem esmaga a cabeça da serpente: portanto é apenas por meio dela que cessará o domínio e poder do demônio sobre este mundo.
Destas poucas informações retiradas dos escritos de São Luís se vê a necessidade da devoção sincera e total à Virgem Santíssima: é necessário que ela seja conhecida e louvada para que o Reino de Cristo venha; é preciso que ela reine para que Ele reine; é preciso, como diz o padre Faber na introdução ao Tratado, que se inicie a gloriosa era de Maria para que, por meio dela, Nosso Senhor venha pela segunda vez. Isto quer dizer que enquanto os católicos não se empenharem em conhecer a Virgem Santíssima, em ter uma confiança total e irrestrita no seu amor de Mãe, o Reino de Cristo não virá; enquanto os corações de todo orbe católico não se consagrar inteiramente a ela – se desfazendo da mínima nódoa de apego ao mundo e suas novidades -, veremos o mal se alastrar e arrastar até mesmo os bons.
Devemos pedir incessantemente para que venha esta posteridade toda consagrada à Nossa Senhora, estes apóstolos dos últimos dias que viverão de modo perfeito a devoção preconizada por São Luís. Devemos repetir sempre:
“Meménto: lembrai-vos, Senhor, desta Comunidade nos efeitos de vossa justiça. Tempus faciéndi, Dómine, dissipavérunt legem tuam(É tempo de agir, Senhor, lançaram por terra a vossa Lei – Ps. 118, 126): é tempo de cumprir o que prometestes. Vossa divina lei é transgredida; vosso Evangelho, abandonado; torrentes de iniqüidade inundam toda a Terra, e arrastam até os vossos servos; a Terra toda está desolada, a impiedade está sobre o trono, vosso santuário é profanado, e a abominação entrou até no lugar santo. Deixareis tudo assim ao abandono, justo Senhor, Deus das vinganças? Tornar-se-á tudo afinal como Sodoma e Gomorra? Calar-Vos-eis sempre? Tolerareis sempre? Não cumpre que seja feita a vossa vontade assim na Terra como no Céu, e que venha a nós o vosso reino?…”4
1 – São Luís Maria Grignon de Montfort – Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, Cap. I, artigo II, 49, pág. 50.
2 – Radiomensagem de 28/12/1958, à população de Messina, no 50º aniversário do terremoto que destruiu essa cidade, in L’Osservatore Romano, edição hebdomadária em língua francesa, de 23/1/1959
3 – São Luís Maria Grignon de Montfort – Oração Abrasada; encontra-se normalmente no livro do Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem.
4 – São Luís Maria Grignon de Montfort – Oração Abrasada; no livro do Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem.



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