Especial: Como Ruiu a Cristandade Medieval?

Dando continuidade à nossa proposta de apresentar o perfil de personagens demolidores da doutrina católica, assim como de apresentar o perfil daqueles que foram como que os seus antípodas, iniciaremos uma série de postagens especiais, com o tema “Como Ruiu a Cristandade Medieval?”, em que analisaremos a figura moral de vários dos (pseudo) reformadores, e também o contexto histórico e como se formou o ambiente propício para esta verdadeira revolução.

Até aqui apresentamos alguns personagens deste embate de luz e trevas de modo assistemático: a televisão e Pio IX, assim como também algo em torno das figuras de São Luís Maria Grignion de Montfort e da Santíssima Virgem.

Mas, com esta série de artigos tentaremos fazer um apanhado geral do assunto, demonstrando a unidade que havia por trás do caos de idéias reinante naquele fim de Idade Média.

Nosso primeiro post será sobre a figura de Erasmo de Rotterdam, tão famoso pela sua erudição, mas tão pouco conhecido no seu papel de artífice da revolução protestante e de amigo íntimo do heresiarca Lutero.

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Pio IX, A Contra-Revolução e o Dogma da Imaculada Conceição

No mês de março, li “Pio IX”, livro escrito por um renomado historiador, o professor Roberto de Mattei. É um livro que exige bastante do leitor, visto que, além do próprio pontificado de Pio IX ter sido longuíssimo, o século XIX foi um período de inúmeras convulsões revolucionárias e mudanças bruscas no modo de vida das sociedades em geral. Portanto, a história que se lerá é entrelaçada em diversas guerras, surgimento de seitas maçônicas revolucionárias, discussões doutrinárias em torno do racionalismo laicista e ateu, investida do liberalismo filosófico; e, todos estes acontecimentos, apontando para o centro do mundo católico: Roma e o Papado.

Eram tempos sinistros para a Santa Igreja, em que quase não havia país ou exército disposto a defender o Santo Padre; a tal ponto as coisas se encaminharam num sentido revolucionário, que Pio IX se viu constrangido a fugir de Roma numa ocasião em que os revolucionários italianos invadiram os Estados Papais, e, noutra ocasião, foi obrigado a se fazer prisioneiro no próprio Vaticano, quando Garibaldi e seus sequazes invadiram e tomaram os Estados Pontifícios.

Pio IX e a Contra-Revolução

O que impressiona nisto tudo é que, apesar de todos apontarem seus canhões para Roma – com campanhas de difamação da Santa Igreja e do Papado e, as vezes, literalmente com armas – Pio IX se manteve firme no seu dever de Chefe Espiritual da Santa Igreja e Chefe Temporal dos Estados Pontifícios, defendendo assim seus direitos de mando sobre as almas e de mando sobre seus estados. O papa tinha uma clareza surpreendente sobre as metas da Revolução. O imperador Victor Manuel, que extinguiu as ordens religiosas no seu Estado e confiscou os bens da Igreja, em certa ocasião ofereceu seu exército para proteger a vida do Papa, mas, ao mesmo tempo exortando Pio IX a ceder em alguns pontos à Revolução, ao que o papa respondeu:

“Raça de víboras, sepulcros caiados! (…) Eis até onde a revolução fez descer um rei da Casa de Sabóia!”

E depois, em carta, responde-lhe o seguinte:

“Pelo conde Ponza di San Martino foi-me entregue uma carta que V.M. quis dirigir-me, mas que não é digna de um Filho afectuoso, que se gloria de professar a fé católica e se preza de lealdade régia. Não entro nos detalhes da própria carta para não renovar a dor que a primeira leitura me ocasionou. Louvo a Deus por permitir a V.M. de cumular de amargura o último período de minha vida. De resto, Eu não posso admitir certas exigências, nem conformar-me com certos princípios contidos na sua carta…”

Que fortes palavras! Mas, acima de tudo, que clareza na verdade. Eis aí um exemplo de intransigência santa e altamente contra-revolucionária. E isto nos faz lembrar outro papa que escolheu para si o nome de Pio: São Pio X, que dizia que o católico sempre deveria dizer a verdade inteira, e nunca esconder ou fazer do catolicismo uma bandeira velada, da qual se tem certa vergonha em professar.

Pio IX, numa época toda contrária ao Papado, fez a verdade aparecer inteira, tal como ela é!

O Dogma da Imaculada Conceição e o triunfo da Contra-Revolução

Como é conhecido por todos os católicos, Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição, no dia 8 de dezembro de 1854, no qual declara que a Virgem Santíssima foi preservada, desde o instante de sua concepção, do pecado original.

À primeira vista, podemos ser tentados a pensar que a definição deste dogma apenas pretendia fixar uma verdade que já vinha sendo crida desde os primeiros tempos da fé católica. Mas, o papa, conhecedor dos males do racionalismo, quis propor uma solução perfeita para restaurar a Civilização Cristã.

“Ele (o papa) manifesta oa osoua profunda convicção na existência de uma relação entre a Mãe de Deus e os acontecimentos históricos, e, de modo particular, da importância do privilégio da sua Imaculada Conceição, como antídoto para os erros contemporâneos, cujo fulcro está precisamente na negação do pecado original”.

Portanto, a declaração do dogma não pode ser considerada apenas como tese abstrata e da esfera estritamente teológica, mas também ser vista “na sua projecção histórica e social”.

Para comprovar o que dizemos, citamos a própria bula (Ineffabilis Deus) em que foi proclamado o dogma. Diz Pio IX: “A grandeza deste privilégio valerá muitíssimo ainda para refutar aqueles que negam ter sido a natureza humana corrompida pela primeira culpa e enaltecem as forças da razão, a fim de negar ou diminuir o benefício da Revelação. Que a Santíssima Virgem, destrutora de todas as heresias, faça arrancar de raiz e destruir este perniciosíssimo erro do racionalismo que, nestes tempos infelicíssimos, tanto aflige e atormenta, não só a sociedade civil como a própria Igreja”.

Por fim, para se compreender os erros que o papa pretendia combater, citamos o famoso estadista Donoso Cortés, que explicou de modo bem sistemático o fundo teológico dos erros da Revolução e o golpe vibrante que Pio IX lhe deu quando proclamou a Imaculada Conceição.

Diz Donoso Cortés: “A negação do pecado original é um dos dogmas fundamentais da Revolução. Supor que o homem não tenha caído no pecado original significa negar, e nega-s efetivamente, que o homem tenha sido redimido. Supor que o homem não foi redimido significa negar, e nega-se efetivamente, o mistério da Redenção e da Encarnação, o dogma da personalidade exterior do Verbo e o próprio Verbo. Supor a integridade natural da vontade humana, de um lado, e não reconhecer, de outro, a existência de outro mal e de outro pecado além do pecado filosófico, significa negar, e nega-se efetivamente, a ação santificante de Deus sobre o homem e, com ela, o dogma da personalidade do Espírito Santo. De todas estas negações deriva a negação do dogma soberano da Santíssima Trindade, pedra angular da nossa fé e fundamento de todos os dogmas católicos”.

Então, quando Pio IX proclama que a Virgem Santíssima foi a única criatura concebida sem pecado original, quer dizer que todos os homens possuem a primeira culpa, e, portanto, não têm condições de bastar-se a si mesmos apenas pelo uso da inteligência; mas, sim, que dependem da graça divina, cuja porta nos foi aberta pela Redenção do Filho Encarnado, que veio ao mundo através da mesma Virgem Maria!

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós!

 


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OS VÍCIOS E A TELEVISÃO

Lendo um artigo do site Plinio Corrêa de Oliveira deparei com uma nota escrita pelo então Cardeal-Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, D. Lucas Moreira Neves, sobre a imoralidade e falta de valores da televisão brasileira. Achei proveitoso estudar um pouco do assunto, recolhendo palavras de alguns outros eclesiásticos tratando desta mesma questão para que o leitor possa refletir sobre os perigos da televisão. Não obstante, antes de iniciar as citações, peço ao leitor que pense por alguns minutos sobre a realidade do que se passa nos programas de TV e pense também sobre o que sempre nos ensinou a Santa Igreja em relação aos mandamentos da Lei de Deus. Lembremos do mandamento mais afetado pela televisão: “Não pecar contra a castidade”. Fiquemos apenas com este mandamento para que não nos estendamos muito. Quantas cenas de sexo aparecem na televisão diariamente, e quantas, para aumentar ainda mais o escândalo, são extraconjugais! A cena de sexo por si mesma já é escandalosa, mesmo que fosse “retratando” a vida matrimonial, mas nem esta existe: só se vê o mais hediondo dentro do hediondo. A promiscuidade geral, a troca de parceiros sexuais (amor livre), a promoção de valores anti-naturais como o homossexualismo, etc. Sem levar esta reflexão muito a fundo já conseguimos vislumbrar quanta imoralidade a televisão transmite; e “só” por isto deveríamos tomar a séria resolução de não expor nossas famílias a tamanha desgraça e pecado.

O QUE DISSE PADRE PIO SOBRE A TELEVISÃO

São Pio de Pietrelcina se referiu à televisão algumas vezes, e sempre de modo negativo, pois via tanto o mau uso que dela se faria como o caráter vicioso que tal tipo de tecnologia propicia. O Padre Mariano de Santa Croce, que conviveu com o santo, dizia que Padre Pio era contrário à televisão, e que certa vez “disse a uma de suas filhas espirituais que vendesse” a TV que tinha. E o Padre Mariano dizia que “além do perigo moral, existe o perigo da perda de tempo: ‘Quando se começa, não se larga mais!’”(1). Outro a nos contar a posição do Padre Pio em relação à televisão é o exorcista da diocese de Roma, Pe. Gabriele Amorth. O Padre Amorth, em entrevista à Revista Catolicismo, disse que “quando foi inventada a televisão, o Padre Pio ficou furioso. E a quem lhe dizia que se tratava de uma magnífica invenção, ele respondia: ‘Verá que uso farão dela!’”(2). Vemos nestes depoimentos três pontos interessantes: 1) Padre Pio previa quão terríveis seriam as programações da TV; 2) percebia o caráter viciante de tal entretenimento, o que redunda invariavelmente em retrocesso na vida espiritual – ao invés de ocupar-se com as orações e outras devoções, se perde muito tempo na frente de TV(3); 3) e por causa de 1 e 2 recomendava a sua filha espiritual a vender a televisão que tinha. Sendo Padre Pio um santo canonizado da Igreja, é de grande importância que examinemos atentamente os seus conselhos, pois assim como lemos o “Filotéia” de São Francisco de Sales e vemos ali recomendações a uma filha espiritual que queria progredir na vida espiritual, temos nestas palavras de São Pio de Pietrelcina ensinamentos do mesmo teor e que se aplicam perfeitamente a nossa época. Se quisermos progredir na prática da Religião meditemos bem cada um destes conselhos e vejamos se ele não estava completamente correto no que dizia.

O QUE DIZ ATUALMENTE O PADRE GABRIELE AMORTH

O Pe. Gabriele Amorth, exorcista de Roma, na entrevista já mencionda à Catolicismo disse que “a TV é corrupção da juventude e igualmente dos velhos! Ouso acrescentar: é também a corrupção dos padres, dos sacerdotes e das freiras. Com os espetáculos contínuos de sexo, de horror, de violência…”(2) E conta: “certa vez, ao fazer um exorcismo, falando com o demônio, ele dizia: ‘A televisão, fui eu que a inventei!’ Eu afirmava: ‘Não! Tu és um mentiroso! A televisão é uma grandíssima invenção do homem. Tu inventaste o mau uso dela, a fim de corromper as pessoas.’” E no livro que escreveu sobre os exorcismos que já fez, escreve que “a magia e o espiritismo são incentivados por vários canais de televisão”(4) e que isto tem sido a causa de inúmeras possessões e infestações. Sem contar nas insinuações implícitas de satanismo, coisa ainda mais grave pois que vai adentrando discretamente na alma das pessoas que se encontram expostas a tais cenas(5). Eis aí mais alguns bons motivos para afastar a sua família da televisão. Um hábito que apresenta tantos perigos: e muitas pessoas vêem este perigo, mas por qualquer motivo pensam algo como “enfim, só passa isso mesmo, fazer o que?!”, e crêem que por isto não tem mais o poder de desistir do aparelho e introduzir práticas mais saudáveis em seu próprio lar! O dono do aparelho se vê refém da sua própria aquisição, quando bastaria apenas puxá-lo da tomada para estar tudo resolvido.

Percebam a postura da criança menor, que estava brincando com as argolas e se contorce para atender ao chamado da televisão.

PALAVRAS DO PROF. PLINIO CORRÊA DE OLIVEIRA

O professor Plinio Corrêa de Oliveira, ilustre fundador da TFP, em mais de uma ocasião fez comentários sobre os males que a televisão, tal como a concebemos – com toda sua imoralidade e programação imbecilizante -, tem causado. Em conferência de 1966 assim se exprimiu:  

“Eu vi, há pouco tempo atrás, numa revista francesa, um fato característico, tratava-se de uma charge característica, era uma revista publicada em vésperas de Natal. Então, há uma televisão diante da qual estão sentados dois meninos, sentadinhos um ao lado do outro, muito direito, e olhando entusiasmados uma cena que representa o Papai Noel que, numa casa hipotética, representada pela televisão, entra pela lareira. Nisso, eles ouvem um barulho e eles vêem um Papai Noel de verdade que está entrando pela lareira da casa deles. Suponhamos que seja o pai que quer levar presentes, a charge não especifica isso. Então, as crianças fazem ao Papai Noel verdadeiro um sinal indignado: “Pare e não se mexa, para ver o que está acontecendo na televisão”. A charge diz algo contra esta gradual renúncia nossa a um movimento que venha de dentro para fora de nós, a um movimento que exprima algo que sai de nós e que se projeta para fora e, para exprimir a nossa inércia, para exprimir a nossa passividade diante de estímulos imensos organizados extrinsecamente a nós, e que vão nos conduzindo a todos nós para rumos que nós verdadeiramente não percebemos, e que nos estarreceriam se nós pudéssemos percebê-los.”(6)

Este efeito descrito pelo professor Plinio é o que muitos estudiosos recentemente estão encontrando como resultado de pesquisas sobre a televisão. A pessoa que passa algum tempo exposta às imagens da TV começa a perder a capacidade de interpretar a realidade e de dar respostas eficientes aos estímulos desta mesma realidade. Ele tende a esperar o intermediário, no caso a televisão, que dê por si mesmo a interpretação daquilo que ela vê e que não depende de nenhuma resposta sua. Ou seja, o indivíduo vai perdendo a capacidade de pensar: de tirar conclusões sobre aquilo que viu e decidir agir de um determinado modo a partir do que viu e posteriormente pensou. Torna-se passivo e incapaz de dar boas respostas às diversas situações por que passa. E, conclui o professor Plinio Corrêa de Oliveira, profetizando o estado em que muitos cairiam por causa desta prolongada exposição à televisão:

“Resultado: insegurança interior, titubeamento, dúvida, isolamento, capitulação. Ao cabo de dez anos deste fenômeno, ou de vinte, se a pessoa não tiver uma personalidade mais ou menos definida, está com a televisão acompanhando o jogo de futebol, e está procurando ver no jornal a descrição do acontecimento que presenciou, para saber o que aconteceu, etc., etc.”(6)

Quem não vê aí a imagem de muitos homens de nossos dias? O mais comum é ver o indivíduo na arquibancada do estádio de futebol com um rádio de pilha no ouvido: e muitas vezes nem consegue olhar para o campo, para ver o jogo ao vivo!

Também muito se vê a segunda previsão: pessoas que presenciaram algum acontecimento na rua – um assalto, um acidente qualquer, etc. -, que depois vão para casa ver na televisão ou na internet o que estava se passando! Isto é um sintoma de como as pessoas aos poucos vão perdendo a capacidade de entender o que se passa ao redor de si, sempre dependendo de um intermediário que lhe explique aquilo mesma que ela viu. E isto acontece todos os dias: o que era apenas uma previsão do prof. Plinio se tornou realidade!

CONCLUSÃO: PALAVRAS DE D. LUCAS MOREIRA NEVES QUE NOS INSPIRARAM

Concluímos com as palavras da nota de D. Lucas Moreira Neves, Cardeal-Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, que nos animaram a pesquisar este assunto. São palavras inflamadas contra os males que há muito vêm propagando abertamente a televisão. Antes de citarmos o ilustre prelado queremos esclarecer que aqui falamos de televisão de um modo geral, independente de ser ela de programação aberta ou fechada, pois se ilude quem faz a distinção entre as duas programações como se a primeira fosse completamente imoral e a segunda recomendada para católicos em geral. Tanto uma como a outra estão atoladas das coisas mais aberrantes, além do que já foi dito anteriormente: é um hábito que redunda facilmente em vício.

Fiquem atentos os católicos para não se viciarem também nisto, de procurar distinções entre coisas que são igualmente perniciosas, para descartar uma delas e ficar com a outra: o quadro continua o mesmo, e continuamos destruindo nossas almas e a de nossos familiares.

Eis as palavras de D. Lucas:

 ”O meu J’accuse é assestado contra a televisão brasileira. (…) Acuso-a de descumprir sistematicamente as funções em vista das quais obteve do governo uma concessão: informar, educar, cultivar, formar a consciência e divertir. (…) Com raras e louváveis exceções, a TV brasileira não só não educa mas, com requintes de perversidade, deseduca. Abusando dos seus recursos técnicos, do seu poder de persuasão e de penetração nos lares do País inteiro, ela destrói o que outras instâncias pedagógicas e educativas, a duras penas, procuram construir. (…)

“Acuso a televisão do nosso país de estar utilizando aparelhagens e equipamentos sofisticados com o objetivo de imbecilizar [o grifo é do original] faixas inteiras da população. Uma geração de debilóides. (…).

“Acuso a TV brasileira de ser demolidora dos mais autênticos e inalienáveis valores morais, sejam eles pessoais ou sociais, familiares, éticos, religiosos e espirituais. Demolidora porque não somente zomba deles, mas os dissolve na consciência do telespectador e propõe, em seu lugar, os piores contravalores. Neste sentido, é assustadora a empresa de demolição da família e dos mais altos valores familiares – amor, fidelidade, respeito mútuo, renúncia, dom de si – realizada quotidianamente, sobretudo pelas telenovelas. Em lugar disso, o deboche e a dissolução, o adultério, o incesto.

Acuso a TV brasileira de ser corruptora de menores, em virtude de programas da mais baixa categoria moral pelas cenas e pelo palavreado, em horários em que crianças estão diante da caixa mágica. Acuso-a de atentar contra o que há de mais sagrado, como seja, a vida. (…).

“Acuso-a de disseminar, em programas vários, idéias, crenças, práticas e ritos ligados a cultos os mais estranhos. Ela se torna, deste modo, veículo para difusão de magia, inclusive magia negra, satanismo, rituais nocivos ao equilíbrio psíquico.

“Acuso a TV brasileira de destilar em sua programação e instilar nos telespectadores, inclusive jovens e adolescentes, uma concepção totalmente aética da vida: triunfo da esperteza, do furto, do ganho fácil, do estelionato”(7)

***

(1) Luigi Peroni. Os meus encontros com Padre Pio: diário de um filho espiritual, notas e fragmentos de história. São Paulo: Paulinas, 2007 (Coleção Memória). Pg. 93; Disponível em http://borboletasaoluar.blogspot.com/2010/05/padre-pio-e-televisao.html

(2) Extraído da Revista Catolicismo, Agosto de 2000, “Exorcista da diocese de Roma”; Disponível em http://www.lepanto.com.br/dados/DCsat2.html

(3) Um telejornal dura em média 45 minutos. Neste mesmo tempo se reza um Rosário. O que tem melhor efeito: se informar sobre as desgraças que estão ocorrendo no mundo ou rezar um Rosário pedindo a Nossa Senhora graças para cessar tanta impiedade e imoralidade que vêm sendo noticiados?

(4) Pe. Gabriele Amorth. Um exorcista conta-nos, Paulinas, Lisboa, 3ª ed., 1998, p. 57;

(5) Não me refiro aqui às famosas mensagens subliminares, mas tão somente àquelas cenas de novela ou outros programas televisivos que de modo muito sutil vão inoculando idéias contrárias à Religião ou aos bons costumes. São tanto mais perigosos quanto mais querem passar despercebidos, como se nada de incorreto estivesse sendo afirmado.

(6) Plinio Corrêa de Oliveira. Conferência no Auditório da Federação do Comércio de São Paulo, 1° de julho de 1966. Disponível em http://www.pliniocorreadeoliveira.info/DIS%20-%201966-07-01_Atradi%C3%A7%C3%A3oeacontinuidadefamiliar.htm 

(7) Dom Lucas Moreira Neves. J’Accuse!, “Jornal do Brasil”, 13-1-93, pag. 11. Disponível em http://www.pliniocorreadeoliveira.info/MAN%20-%2019930211_ReplicaZeroHora.htm

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O Papel da Virgem Santíssima na Luta entre Luz e Trevas

No texto anterior demonstramos através de textos de diversos santos a existência de um combate entre os filhos da Luz e os filhos das trevas, tornando evidente que é necessário ao bom católico se inserir nesta realidade, tomando para si a bandeira de Cristo, sob pena de se não o fizer, ser arrastado pela imensa onda de imoralidade do mundo atual.

Agora desejamos falar do papel fundamental e imprescindível de Nossa Senhora neste combate.

Sabemos que nossa luta é pelo Reino de Cristo e para que este Reino venha e seja conhecido universalmente. Mas, facilmente esquecemos de que se Nosso Senhor Jesus Cristo veio ao mundo, o fez por meio da Virgem Maria. Isto significa que “por meio de Maria começou a salvação do mundo1. Neste sentido poderíamos dizer que a Santíssima Trindade, para salvar a humanidade caída, precisou do “sim” da Virgem Santíssima. Portanto, se o próprio Deus quis o consentimento de Maria para operar a salvação da humanidade, nós que vivemos “nesta hora terrível em que o espírito do mal busca todos os meios para destruir o Reino de Deus”2, devemos pedir ainda com mais insistência que o Arcanjo Gabriel pelo “sim” de Nossa Senhora. Devemos pedir com São Luís Maria Grignon de Montfort: “Senhor Jesus, memento Congregatiónis tuae: lembrai-Vos de dar à vossa Mãe uma nova companhia, a fim de por Ela renovar todas as coisas, e terminar por Maria os anos da graça, como por Ela os começastes. Da Matri tuae líberos, alióquin móriar (Gn 30,1): dai filhos e servos à vossa Mãe; quando não, fazei que eu morra.”3

O mesmo São Luís esclarece quem são os filhos da Luz, nos remetendo ao livro do Gênesis nas Sagradas Escrituras: “Porei inimizades entre ti e a mulher, e entre a tua posteridade e a posteridade dela. Ela te pisará a cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar” (Gn 3, 15). A mulher, obviamente, é a Virgem Santíssima; do que se deduz por lógica que é por meio dela que se formam os filhos da Luz. È notável também que é ela quem esmaga a cabeça da serpente: portanto é apenas por meio dela que cessará o domínio e poder do demônio sobre este mundo.

Destas poucas informações retiradas dos escritos de São Luís se vê a necessidade da devoção sincera e total à Virgem Santíssima: é necessário que ela seja conhecida e louvada para que o Reino de Cristo venha; é preciso que ela reine para que Ele reine; é preciso, como diz o padre Faber na introdução ao Tratado, que se inicie a gloriosa era de Maria para que, por meio dela, Nosso Senhor venha pela segunda vez. Isto quer dizer que enquanto os católicos não se empenharem em conhecer a Virgem Santíssima, em ter uma confiança total e irrestrita no seu amor de Mãe, o Reino de Cristo não virá; enquanto os corações de todo orbe católico não se consagrar inteiramente a ela – se desfazendo da mínima nódoa de apego ao mundo e suas novidades -, veremos o mal se alastrar e arrastar até mesmo os bons.

Devemos pedir incessantemente para que venha esta posteridade toda consagrada à Nossa Senhora, estes apóstolos dos últimos dias que viverão de modo perfeito a devoção preconizada por São Luís. Devemos repetir sempre:

Meménto: lembrai-vos, Senhor, desta Comunidade nos efeitos de vossa justiça. Tempus faciéndi, Dómine, dissipavérunt legem tuam(É tempo de agir, Senhor, lançaram por terra a vossa Lei – Ps. 118, 126): é tempo de cumprir o que prometestes. Vossa divina lei é transgredida; vosso Evangelho, abandonado; torrentes de iniqüidade inundam toda a Terra, e arrastam até os vossos servos; a Terra toda está desolada, a impiedade está sobre o trono, vosso santuário é profanado, e a abominação entrou até no lugar santo. Deixareis tudo assim ao abandono, justo Senhor, Deus das vinganças? Tornar-se-á tudo afinal como Sodoma e Gomorra? Calar-Vos-eis sempre? Tolerareis sempre? Não cumpre que seja feita a vossa vontade assim na Terra como no Céu, e que venha a nós o vosso reino?…”4

1 – São Luís Maria Grignon de Montfort – Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, Cap. I, artigo II, 49, pág. 50.

2 – Radiomensagem de 28/12/1958, à população de Messina, no 50º aniversário do terremoto que destruiu essa cidade, in L’Osservatore Romano, edição hebdomadária em língua francesa, de 23/1/1959

3 – São Luís Maria Grignon de Montfort – Oração Abrasada; encontra-se normalmente no livro do Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem.

4 – São Luís Maria Grignon de Montfort – Oração Abrasada; no livro do Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem.

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A Verdadeira Combatividade Católica

A iniciativa de criar este blog veio a partir da leitura do texto Sombra e Luz na Idade Moderna – Demolidores e Criadores¹ escrito por Santa Teresa de Los Andes em 1918 quando contava apenas 18 anos. Assim como Santo Agostinho no livro Cidade de Deus, a santa chilena retoma a idéia da luta entre a Cidade de Satanás e a Cidade de Deus, mas denominando de Demolidores aos filhos das trevas e Criadores aos filhos da Luz.

O que se nota em especial nestes dois textos é a combatividade dos santos na defesa do catolicismo: não existem estados intermediários, ou se luta pela bandeira de “Cristo, sumo Capitão e Senhor nosso” ou pela bandeira de “Lúcifer, mortal inimigo da natureza humana”, como bem explicitou Santo Inácio de Loyola nos seus Exercícios Espirituais.

No dizer de Santo Agostinho, Deus Nosso Senhor “julgou existir mais potência e mais perfeição em tirar o bem do mal, que em impedir o mal de existir”, isto é, da atividade demolidora da Cidade de Satanás – que visa espalhar um caos infernal pelo mundo – surge intrépida e sólida a reação dos filhos da Luz.

O professor Plinio Corrêa de Oliveira, contemplando todo este panorama universal da luta entre o Bem e o Mal, escreveu o ensaio Revolução e Contra-Revolução, em que explicita a profundidade desta luta, que, acima de tudo, é um combate de almas.

Como em Santa Teresa de Los Andes, a Revolução descrita pelo professor Plinio Corrêa de Oliveira tem seu marco inicial na revolta do monge apóstata Lutero contra a autoridade da Igreja Católica, e daí segue de passo em passo, através do jansenismo, Revolução Francesa, comunismo…

Seguindo o exemplo destes filhos da Luz, tentarei explicitar – da melhor forma possível – as tendências que segue a Revolução em nossos tempos e como a Contra-Revolução as combate de modo inflexível e sempre fiel às doutrinas da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, afinal, “a Contra-Revolução não é nem pode ser um movimento nas nuvens, que combata fantasmas. Ela tem de ser a Contra-Revolução do século XX , feita contra a Revolução como hoje em concreto esta existe (…)”².

1 – O texto pode ser encontrado aqui: http://www.revolucao-contrarevolucao.com/verartigo.asp?id=46

2 – Plinio Corrêa de Oliveira – Revolução e Contra-Revolução: Parte II, Cap. I, pags. 91 e 92. O ensaio pode ser lido em: http://www.ipco.org.br/home/wp-content/uploads/2010/05/RCR.pdf ; Obs.: No ensaio o professor Plinio Corrêa de Oliveira diz sec. XX, mas facilmente se percebe que se refere também a nós que estamos no sec. XXI.

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